Domingo, 29 de Junho de 2008

I Jornada Tribal finaliza com entusiasmo


O último dia da I Jornada Arqueológica Tribal do Planalto Central e do Cerrado encerrou-se hoje (28/6) na Reserva Indígena do Bananal, no mesmo lugar onde se deu início, o Santuário Sagrado dos Pajés, em ritual que fortaleceu a permanência da comunidade indígena na localidade.

As atividades iniciaram-se pela manhã com café-da-manhã feito na lenha junto a tranquilidade do cerrado nativo. Após o desejum, os participantes puderam ouvir o Assessor Legislativo da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Frederico Maia. Ele relatou o histórico da permanência dos moradores da reserva, destacando as atividades harmoniosas por eles desenvolvidas e a omissão dos governantes diante o reconhecimento dos que habitam a região há décadas. Segundo Maia, a ocupação é legítima e os motivos dos indígenas nesta região estão muito além dos divulgados pela mídia local. Não foi para vir atrás de tratamento médico que os indígenas estão ali. Eles ocupam o espaço que há séculos tem sido tirado pela dita sociedade "moderna" em todos os estados brasileiros. Outro ponto destacado pelo assessor é o de que a Reserva Indígena do Bananal pertence ao povo indígena e o Santuário Sagrado dos Pajés recebe lideranças de todas etnias que passam pelo Distrito Federal. O não reconhecimento do estado é uma forte agressão a este povo. Uma ótima entrevista com Frederico Maia pode ser assisstida em:http://br.youtube.com/watch?v=JBZKn9I6XWs

Depois do almoço foi a vez do Professor Aryon Rodrigues, um dos maiores lingüistas e estudiosos das línguas indígenas que palestrou sobre o tema: “História e formaçao das línguas indígenas do tronco macro-jê”. O professor fez um panorama das línguas indígenas faladas atualmente no Brasil e contou histórias dos povos originários desta terra. Sobre o caso específico da Reserva do Bananal o professor disse que não há dúvidas de que os Carnijós (antepassados dos Fulni-ôs, uma das etnias da reserva) estiveram na região de Brasília no passado. Aryon ainda respondeu algumas dúvidas dos participantes da jornada, principalmente do professor Santxiê Tapuya que também tem grande conhecimento das línguas indígenas.

O encerramento da jornada, no Santuário Sagrado dos Pajés, saudou os espítitos da floresta, das água e dos animais. A liderança Kariri-Xocó, Tanoné, contou sua angústia em decidir sobre a permanência de seu povo, já que inúmeras ameaças tem sofrido por parte do Governo do Distrito Federal. Mas, por fim disse que "O santuário não se move" e junto com a comunidade brasiliense vai resistir pela permanência do lugar.

A I Jornada Tribal serviu para reafirmar a cultura indígena na capital do país e discutir a relação desigual entre a sociedade "moderna" os povos originários desta que, na maioria das vezes, representa a luta entre a preservação da natureza, com modo de vida harmônico, e a destruição da vida baseado no consumismo.

Sábado, 28 de Junho de 2008

Santuário não se move: questão é discutida na jornada


Hoje (28/6) foi mais um dia de atividades na Jornada Tribal. As atividades se iniciaram com a fala do prof. Jorge Eremites de Oliveira (historiados e arqueólogo) do laboratório de arqueologia, etnologia e Etnoistória, do Núcleo de Estudos em Ciencias Sociais da Universidade Federal da Grande Dourados, que pela manhã falou sobre "O que é e para que serve a etno-arqueologia e a Etnoistória". O prof. Eremites falou sobre sua experiência em trabalhos de identificação de sitios arqueológicos na região do Mato Grosso do Sul, das relações dos povos indígenas que habitam a região, como os Guarani-Kaiowá, com tais sítos e apresentou explicações sobre a simbologia dos artefatos encontrados em tais sítios com a cosmovisão dos Kaiwá.


Outra coisa importante exclarecida pelo professor foi o conceito de tradicionalidade que aparece no artigo 231 da constituição federal de 1988, que diferente do que apresenta a constituição brasileira anterior, é embasado num arcabouço teório antropologico, e que por tanto não há relação temporal, ou seja, as terras indígenas tradicionalmente ocupadas não são terras em que os povos indigenas habitavam antes dos portugueses chegarem, como diz o governador Arruda, mas sim as em que habitam e mantém seus vínculos culturais de acordo com os seus usos e costumes. Segundo o professor, o governador Arruda não tem autoridade para afirmar se um território é ou não tradicionalmente ocupado por indígenas, e quem define a tradicionalidade de um território são os próprios indígenas. Como a própria constituição coloca "São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições".


Ainda segundo o prof. Eremites, a tradicionalidade da terra indígena da qual fala a constituição está mais ligada ao presente e ao futuro do que ao passado, pois tratam-se de áreas impresindíveis à manutenção dos recursos naturais necessários ao seu bem-estar e a sua reprodução física e cultural. Portanto, segundo o próprio Eremites, a Reserva Indígena Pluriétnica do Bananal tem todos os fundamentos de um território tradicionalmente indígena, já que trata-se de uma área ocupada há decadas em caráter permanente, onde os indígenas mantém seus usos, costumes e tradições.


Na parte da tarde o Professor de Antropologia da Universidade de Brasília, José Jorge, na palestra "Porque o santuário não se move" falou sobre os conceitos de sagrado para as culturas originárias, em contraponto a visão de sagrado da cultura hegemônica Judaico-Cristã, e da cultura Islâmica. Se do lado judaico-cristão e Islâmico, não há uma relação deística com os elementos da natureza, e que portanto os seus santuários são locais erguidos como suntuosas construções, onde se colocam imagens e altares para santos e profetas, como por exemplo as igrejas e mesquitas; por outro lado, para os povos originários, sejam eles da américa como os indígenas ou da oceanica como os aboríginas, santuários são espaços de terra repletos de vida natural, a céu aberto, onde se tem relação com a biodiversidade e conhece seus usos, ou dentro de cavernas, lugares onde a manifestação dos elementos da natureza são evidentes. não há como se mover tais santuários, pois se tratam de faixas territorias, acidentes geográficos, marcas pré-históricas . Ou seja, não há como transportar um santuário indígena, aborigine, ou qualquer outro santuário de cultura originária para dentro de um museu, ou dentro de um memorial.


Por fim, foram exibidos os filmes "Nhanderu, Marangatu", "As iverdades sobre o Setor Noroeste". O Santuário Não se Move!


Confira a programação.




Estão abertos os trabalhos

Iniciou-se ontem (27/6) a I Jornada Arqueológica Tribal do Planalto Central e do Cerrado que até domingo pretende discutir a situação passada, presente e futura dos primeiros habitantes do Brasil. Os trabalhos foram abertos no Santuário Sagrado dos Pajés que pôde ouvir de cada pessoa presente o sentimento por estar ali. Santxiê, índio Fulni-ô da Reserva Indígena do Bananal, falou sobre o que representa a jornada tribal para a comunidade indígena e deu início ao ritual xamânico.

Em seguida, os participantes do evento foram até a Oca das Mulheres onde puderam assistir aos três vídeos sobre a Reserva do Bananal: "O canto sagrado dos guerreiros", "Toré - Celebração e Resistência no Planato Central" e "Sagrada Terra Especulada".

Depois foi servido o beiju tribal, batata-doce, milho junto com muitas conversas ministradas por Santxiê e a liderança Macuxi, Matekin, que pode contar para todas e todos os inúmeros casos relacionados com a política e espiritualidade indigenista que faz parte há muitos anos. Rogério Basali, professor de filosofia, ainda trouxe seu depoimento sobre como conheceu a Reserva Indígena do Bananal e a importância de se manter o lugar na capital do país, contextualizando a situação de grande confronto com o que pode haver de pior na política brasileira.

Hoje a programação fica por conta do professor Altair Salles Barbosa, Antropólogo e Arqueólogo, que falará sobre os temas: “Introduçao: Quem é e o que faz o arqueólogo” e “Processos culturais e ocupaçao humana no cerrado”. Mais tarde o professor Jorge Eremites de Oliveira, historiador e arqueólogo, fala sobre a “Introduçao: o que é e para que serve a etno-arquelogia e a etno-história?” e “Pré-história da regiao centro-oeste do Brasil”. Por último, o professor José Jorge de Carvalho, antropólogo, explicará para os presentes “Por que o Santuário dos Pajés nao se move?”.

Intimidação

Não bastasse o terrorismo midiático e governamental promovido, principalmente, pelo jornal Correio Braziliense, o jornalista da Bandnews Carlos Humberto e Antonio Gomes, Presidente da Terracap ontem aconteceu algo lamentável durante a abertura da jornada. Durante alguns minutos um helicóptero da polícia, ainda não devidamente indentificado, realizou alguns razantes no Santuário Sagrado dos Pajés. A pressão nos indígenas está forte para que deixem a localidade e o terrorismo é fato em Brasília.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

O Santuário Sagrado dos Pajés na rota ancestral indígena do Planalto

27 de junho (Sexta)
16.00h – Abertura no Santuário dos Pajés (Hedhadwlha eity)

17:00h – Filmes e fotografia (Local: ministério espiritual do Índio)

“Projeto Setor Noroeste Ilegal” “As verdades do Setor Noroeste ocultadas pelo GDF” “Torè, Celebraçao e Resistencia" “Sagrada Terra Especulada” “Canto dos Guerreiros Sagrados”

18:00-18:30h – Roda tribal de discussao sobre as temáticas dos filmes (Awa Oca/casa dos homens)

19:00h – Beiju tribal

20:00h – Capoeira Tribal

28 de junho (sábado)

10:00h-12:00 – Charla do Prof. Altair Salles Barbosa (Antropólogo e Arqueólogo)“Introduçao: Quem é e o que faz o arqueólogo”“Processos culturais e ocupaçao humana no cerrado”1

2:00h – Almoço

14:00h-16:00 – Charla do Prof. Jorge Eremites de Oliveira (historiador e arqueólogo) “Introduçao: o que é e para que serve a etno-arquelogia e a etno-história?”“Pré-história da regiao centro-oeste do Brasil” 16:00h-18:00h – Charla do Prof. José Jorge de Carvalho (antropólogo)“Por que o Santuário dos Pajés nao se move?”

18:00h – Torè do Fogo

29 de junho (domingo)

9:00h – Expediçao arqueológica no Parque Água Mineral e na Reserva Indígena Bananal(territorio tribal pluriétnico)

12:00h – Almoço

14:00h-16:00 – Charla con o Prof. Aryon Rodrigues “História e formaçao das línguas indígenas do tronco macro-jê”

16:00h – Charla com as lideranças indígenas “Lutas indígenas e democracia multiétnica”

17:00h – Charla com todos os participantes “Conclusoes gerais e perspectivas:o mundo tribal está vivo!”

18:00h – Encerramento: Cerimonial tribal de celebraçao da biodiversidade cultural do bioma do cerrado com fitoterápicos medicinais

Inscrições 20 REAIS: Na Flora Medicinal, no terreo do edificio sede da FUNAI até sexta feira (27/06) (9h às 17:00)


Na Biblioeteca DA UNB (19h ás 23:30) COM RAFAEL

*Com direito a certificado de participação
Mais informações:

(61)9154-5215/8125-1017

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

I Jornada Tribal de Arqueologia do Planalto Central e do Cerrado

“O Santuário Sagrado dos Pajés na rota ancestral indígena do Planalto e do Cerrado”

“A atualidade política da Bolívia e do Brasil: lutas indígenas e democracia multiétnica”

27, 28 e 29 de Junho de 2008

Local: Reserva Indígena Bananal

Inscrições: R$20,00 (colaboração)

- Pablo Mamani Ramires – maestro en la Carrera de Sociologia, Bolívia (UMSA)

- Prof. Santxiê Tapuya

-David Terena (Instituto América Indígena)

Marcos Terena - Antropólogo

- Prof Fred Maia (FUNAI)

- Altair Sales Barbosa - Antropólogo e Arqueólogo

- Jorge Eremites de Oliveira – Historiador e Arqueólogo (UFGD-Dourados)

Jorge de Carvalho (UnB) – Antropólogo

- Aryon Rodrigues (UnB) - Lingüista e estudiosos das línguas indígenas

Apoio FUNAI

Realização: ASSOCIAÇÃO CULTURAL POVOS INDÍGENAS