
Hoje (28/6) foi mais um dia de atividades na Jornada Tribal. As atividades se iniciaram com a fala do prof. Jorge Eremites de Oliveira (historiados e arqueólogo) do laboratório de arqueologia, etnologia e Etnoistória, do Núcleo de Estudos em Ciencias Sociais da Universidade Federal da Grande Dourados, que pela manhã falou sobre "O que é e para que serve a etno-arqueologia e a Etnoistória". O prof. Eremites falou sobre sua experiência em trabalhos de identificação de sitios arqueológicos na região do Mato Grosso do Sul, das relações dos povos indígenas que habitam a região, como os Guarani-Kaiowá, com tais sítos e apresentou explicações sobre a simbologia dos artefatos encontrados em tais sítios com a cosmovisão dos Kaiwá.
Outra coisa importante exclarecida pelo professor foi o conceito de tradicionalidade que aparece no artigo 231 da constituição federal de 1988, que diferente do que apresenta a constituição brasileira anterior, é embasado num arcabouço teório antropologico, e que por tanto não há relação temporal, ou seja, as terras indígenas tradicionalmente ocupadas não são terras em que os povos indigenas habitavam antes dos portugueses chegarem, como diz o governador Arruda, mas sim as em que habitam e mantém seus vínculos culturais de acordo com os seus usos e costumes. Segundo o professor, o governador Arruda não tem autoridade para afirmar se um território é ou não tradicionalmente ocupado por indígenas, e quem define a tradicionalidade de um território são os próprios indígenas. Como a própria constituição coloca "São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições".
Ainda segundo o prof. Eremites, a tradicionalidade da terra indígena da qual fala a constituição está mais ligada ao presente e ao futuro do que ao passado, pois tratam-se de áreas impresindíveis à manutenção dos recursos naturais necessários ao seu bem-estar e a sua reprodução física e cultural. Portanto, segundo o próprio Eremites, a Reserva Indígena Pluriétnica do Bananal tem todos os fundamentos de um território tradicionalmente indígena, já que trata-se de uma área ocupada há decadas em caráter permanente, onde os indígenas mantém seus usos, costumes e tradições.
Na parte da tarde o Professor de Antropologia da Universidade de Brasília, José Jorge, na palestra "Porque o santuário não se move" falou sobre os conceitos de sagrado para as culturas originárias, em contraponto a visão de sagrado da cultura hegemônica Judaico-Cristã, e da cultura Islâmica. Se do lado judaico-cristão e Islâmico, não há uma relação deística com os elementos da natureza, e que portanto os seus santuários são locais erguidos como suntuosas construções, onde se colocam imagens e altares para santos e profetas, como por exemplo as igrejas e mesquitas; por outro lado, para os povos originários, sejam eles da américa como os indígenas ou da oceanica como os aboríginas, santuários são espaços de terra repletos de vida natural, a céu aberto, onde se tem relação com a biodiversidade e conhece seus usos, ou dentro de cavernas, lugares onde a manifestação dos elementos da natureza são evidentes. não há como se mover tais santuários, pois se tratam de faixas territorias, acidentes geográficos, marcas pré-históricas . Ou seja, não há como transportar um santuário indígena, aborigine, ou qualquer outro santuário de cultura originária para dentro de um museu, ou dentro de um memorial.
Por fim, foram exibidos os filmes "Nhanderu, Marangatu", "As iverdades sobre o Setor Noroeste". O Santuário Não se Move!
Confira a programação.
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